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sábado, 6 de janeiro de 2018

Estádio de Ananindeua

Uma parte das arquibancadas já está construída.
A anunciada liberação da verba para conclusão do estádio de Ananindeua poderá se constituir na grande notícia esportiva neste início de ano.

Abstraindo qualquer conotação política ao fato, o novo estádio considerado de porte médio, com capacidade máxima de 20 mil espectadores, deverá preencher uma lacuna, pois como se sabe, somente o Mangueirão preenche essa condição quanto ao número de torcedores para as competições nacionais. Nos jogos em que a CBF estipula a capacidade máxima de pessoas no estádio. Nesta condição, os estádios da Curuzu e o Baenão (quando for reaberto), têm sua lotação máxima abaixo do que exige a Confederação.

Alega-se que o novo estádio situado no vizinho município da área metropolitana de Belém, estaria localizado em área degradada. Evidente que o terreno escolhido para a sua edificação não poderia ficar no centro da cidade. Pelo transtorno que causaria como acontece em jogos nos estádios do Remo e Paissandu, pela exiguidade de espaço para estacionar os veículos dos que se utilizam de carros próprios para ir ver os jogos. Baenão e Curuzu assim como o próprio Souza, hoje localizam-se em áreas quase inviáveis para estacionamentos. Os três estádios têm suas fachadas pela avenida Almirante Barroso, uma das mais movimentadas da capital. E até mesmo suas transversais quase não oferecem condições de estacionamento. Ainda mais quando o jogo tem apelo de público numeroso. É obrigação da prefeitura de Ananindeua sanear o local e à polícia garantir a segurança da qual necessitam os torcedores. Sem ninguém fazer favor a ninguém. Mero dever administrativo. 

O estádio de Ananindeua poderá ainda influenciar para o ressurgimento do clube de mesmo nome, representante do município em várias competições. E que tanto honrou a cidade da RMB inclusive em campeonatos nacionais, chegando a empatar com o poderoso Bahia, em jogo realizado em Salvador, com 40 mil torcedores na Fonte Nova.

Vamos aguardar que o prefeito Manoel Pioneiro realize esse sonho que deverá beneficiar não só o município que ele dirige como também o futebol de Belém com as taxas de sua utilização sendo bem menores que as escorchantes cobradas em jogos no Mangueirão.

Para quem não sabe: em São Luís, o “Nhozinho Santos” pertence à prefeitura metropolitana assim como o “Presidente Vargas” em Fortaleza e o “Lindolfo Monteiro” em Teresina. As três capitais dispõem de estádios estaduais.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Nostalgia suburbana


Em tempos de nostalgia do futebol suburbano, que já foi dos mais concorridos no calendário da extinta Federação Paraense de Desportos (a antiga FPD) antecessora da FPF – Federação Paraense de Futebol - vale a pena lembrar do Sacramenta Esporte Clube, o time do então chamado “Bairro Novo”. A começar pelo seu literal patrono, o velho Martiniano Almeida, que nomina o quase extinto estadinho, outrora, palco até das presenças de Remo e Paissandu. 

O Sacramenta já disputou por algumas vezes (1961 (estreia) /68 /69 / 70/ 74 (ultima vez) nosso campeonato profissional. O que o velho Martiniano sempre quis evitar. Ele achava que seu time não tinha – como nunca teve – estrutura para uma peripécia dessa envergadura. Uma autentica profecia. O “Sacra” passou a viver as agruras de sua longa existência a partir daí. Com seu lendário estádio sendo até ameaçado de venda em face de dividas elevadas. 

Dos áureos tempos de Martiniano Almeida destacavam-se dois jogadores que formavam a chamada ala esquerda de seu ataque (meia-armador e ponta esquerda): Borrachão e Paturi. No time esmeraldino suburbano eles eram craques. 

Borrachão no estilo integral do que Ruy Castro define como os “mascarados” daquela época: tinham por hábito andar nas pontas dos pés. Principalmente os que eram esbeltos, como ele. Era como se estivessem sempre a desfilar. Tornavam-se elegantes com essa postura. Para alguns ele era o Natividade (um polivalente e tecnicamente excelente jogador do Paissandu) do subúrbio. Individualista e clássico nas fintas desconcertantes, abusava, no entanto, desses ornamentos em campo. Quando resolvia passar a bola para algum companheiro, era como se fosse “um favor”, quase uma caridade. Mas em compensação, o passe era feito com classe. Paturi era velocista e chutava bem. Por muitos anos foi cartorário na antiga Repartição Criminal do Fórum de Belém. Depois formou-se em Direito. 

Os dois chegaram a jogar por breve tempo pelo Papão. Mas sem repetir o mesmo sucesso dos tempos do Sacra. Coisas do futebol. Foram revelados pelo clube suburbano craques como Eloy, Nascimento e Fefeu que jogaram na Tuna nas décadas 1960/70.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Um urubu na sorte do Remo

Carlos Alberto (Urubu) foi uma assombração para o Remo.
A raça excedia em Carlos Alberto que era conhecido como Urubu, em quase uma década jogando pelo Paissandu. O apelido tem duas versões. Uma oficial sempre dada por ele em entrevistas à imprensa. A mania de se pendurar no travessão após a marcação de um gol – e ele era um “matador” sempre em atividade – teria sido o motivo do apelido. Mas quem o conheceu quando garoto na rua Curuçá, no bairro do Telégrafo,  onde morava. remete a uma possível semelhança no andar meio balançado  para um lado e para o outro, tal  como a ave negra. Mas isso é o que menos interessa para a vitoriosa carreira que foi de 1955 até 1965 quase toda na Curuzu. Afinal, Urubu jogava por amor à camisa bicolor. Suava o manto alvi-azul  com uma rara  disposição e a flama inaudita  dos jogadores predestinados a esse tipo de comportamento. 

Para ele, rigorosamente o jogo só acabava quando o árbitro  apitasse o seu final. Enquanto ainda houvesse tempo por jogar, ele acreditava na possibilidade de empatar ou revirar um placar adverso ao seu time. Foi com ele que o Papão criou a fama de “time da virada”, que “matava na hora”. Especialmente contra o maior rival. Os remistas durante o longo tempo que o tiveram como adversário abalaram-se com uma espécie de complexo de “revertério” ao final do jogo. E isso acontecia em grande parte provocado por Urubu, que sabia como cultivar essa obsessão azulina. Usava a catimba como arma de provocação oscilante. Contra ou a favor. Dependendo do placar do jogo. Seu comportamento provocador em campo, contaminava também a torcida rival.E por outro lado inflamava a galera de seu time. Ele era um mestre na arte da ”cera”. Quando era expulso dificilmente não levava consigo um jogador adversário.

Aos 82 anos e com a perda da visão há cerca de cinco, Urubu, porém, não se tornou uma pessoa amarga. Exibe sempre  o sorriso no rosto, aquele mesmo riso zombeteiro com que irritava a torcida do Remo após marcar um gol.

Aposentado pelo Banco do Estado do Pará (Banpará) reside atualmente em um apartamento no Chaco, no bairro do Marco, juntamente com um dos filhos (ele teve dois) depois de passar um longo tempo morando em Mosqueiro após a morte prematura da esposa, Maria da Paz, de um infarto fatal   aos 56 anos. Ficou viúvo para sempre,  segundo diz.

Embora sua saída do Papão em 1965 tenha sido um tanto tumultuada, ele culpa o falecido treinador uruguaio Juan Alvarez, que o teria antipatizado,  por seu prestígio de ídolo na clube. Dividia com Quarenta a conquista de títulos quase seguidos pelo Paissandu, desde 1956 quando o Papão quebrou um longo jejum de quase 10 anos sem saber o que era ser campeão paraense. Parte desse acervo fotográfico vitorioso  é exibido nas paredes de sua residência. Além de vários títulos benemerentes que lhes foram ofertados pelo seu clube do coração.


Apesar da deficiência ocular, Urubu diz que Neymar é o maior jogador brasileiro da atualidade a arrisca prever que na Copa do Mundo do próximo ano ele irá confirmar isso.

(com a colaboração de Nonato Batista)   

Lugar de mulher é na... latinha

Zuleide Ranieri - Foi a pioneira na narração do futebol.
Hoje elas estão em todas. Ou melhor, muito próximas do domínio das profissões antes tidas como um nicho masculino. É o avanço feminino no universo dos homens. Sinal de uma nova era. Chegaram, faz tempo às comunicações. E vieram com tudo. Nos jornais impressos e na televisão, só dá elas.

No rádio esportivo ainda estão meio acanhadas. Mas a recente narração de uma locutora mineira – com voz nem tão agradável, conforme ouvi no Youtube – já assanhou as pretendentes à função até hoje exclusiva dos narradores.

Não é bem assim. Por volta de princípios dos anos 1970, uma emissora paulista se aventurou a formar uma equipe totalmente feminina.Com quase uma dezena de integrantes, a Rádio Mulher balançou o mercado e espantou a macharada. Sua principal narradora era Zuleide Ranieri, falecida no ano passado, que tinha boa voz e bossa peculiar na transmissão de um jogo de futebol. Concorria à altura com as emissoras mais tradicionais da capital paulistana. Acompanhava inclusive times brasileiros quando jogavam no exterior. Uma de suas estrelas era Claudete Troiano, até hoje um rosto dos mais conhecidos na televisão. Foi da Gazeta por vários anos.” Uma mulher a mais no estádio, um palavrão a menos” era o bordão favorito de Zuleide.


Com a migração das AMs para a faixa das FMS, quem se arrisca por aqui em apostar na novidade? Por suas várias experiências já efetivadas, além de ter inegavelmente o melhor som entre todas as FMs de Belém, a Rauland poderia investir no projeto. Formando uma equipe através de concurso público. Poderia ter uma surpresa na empreitada. Quem sabe não há mulheres paraenses vocacionadas para essa nova função?

Os preferidos da mídia esportiva

  Resultado lógico na escolha dos três  narradores paraenses preferidos  de todos os tempos. Seleção feita por 26 de seus próprios colegas d...