sábado, 16 de março de 2019

Os rebarbados (2)


Prata (em cima, é o último da esquerda para a direita) no time da Tuna de 1966. 
Futebol de qualidade e bebida eram com aqueles times da Tuna de quase toda a década de 1960. Um elenco de poucas trocas de jogadores. Mas quem entrava era sempre à altura do substituído. Isso durante 10 anos consecutivos. E só os caprichos do futebol explicam o longo jejum de títulos durante esse decênio. Só voltou a ser campeã paraense em 1970. Com um time todo renovado com quase só a prata da casa, formada na base, naquele tempo, a equipe de juvenis. 
Daquele time boêmio, o goleiro Délcio, o zagueiro Prata, o excelente meia- armador Da Silva e os atacantes Mário, Nascimento e Santiago eram titulares absolutos. Sem procurar esconder a vida aberta que levavam como autênticos ‘barqueiros da madrugada”. Na Condor, o então considerado refúgio maior da boemia belenense, eles eram vistos flanando juntos com os notívagos da antiga Praça Princesa Isabel. Onde ficava a famosa boate, bar e restaurante o Palácio dos Bares, a casa do saudoso João de Barros. Que concentrava o grosso dos boêmios ávidos por bebida e pela luxúria. 

Em 1967 Prata e Délcio foram emprestados ao Sport em troca do goleiro Dudinha, do lateral esquerdo -Romildo e do atacante Milton. Com poucos meses no Leão da Ilha, a dupla se envolveu em uma briga em uma boate na qual o Delcio saiu esfaqueado. Depois de recuperado, ambos voltaram a Belém e foram reintegrados ao time. 

Só para ilustrar o extenso repertório sobre aquele elenco de farristas contava-se lá pelo Souza que às vésperas de um clássico (contra Remo ou Paissandu) o time ficou concentrado nas dependências do próprio estádio tunante. O treinador carioca Sávio Ferreira avisa que vai ao hotel mudar a roupa e não se demoraria. O treino encerrara no finalzinho da tarde. Quando retorna, já depois das 8h da noite, estranha os refletores do estádio acesos. E mais ainda ao se aproximar do campo, uma algazarra dominava o ambiente. No meio do gramado em forma de círculo, os “craques da bola ao copo” estavam devorando uma garrafa de rum. Ao verem o técnico que já partira para “ensaboa-los” com uma baita esculhambação, teve o revide inesperado. Com uma faca na mão, partiram pra cima dele aos gritos de “pega, pega”, O técnico saiu em carreira desenfreada, escapulindo pelo portão de entrada. 

Prata que era boa pinta, alto, louro e estudara no tradicional colégio marista Nazaré, só jogou cerca de uma década. Subira do juvenil ao profissional em 1959 Ao pendurar as chuteiras (1969) dirigia um taxi que fazia ponto na porta da Beneficente Portuguesa. Depois passou a residir em Macapá e faleceu já neste do novo século.

Um anúncio enigmático


Pelas presenças de Jair Gouveia e Cláudio Guimarães na equipe, o anúncio deve ser presumível à década de 1960. Dois jogos seriam realizados, um deles –o mais importante – envolvendo um clube carioca, no caso o Olaria, que enfrentaria o Remo. O local das partidas deve ter sido o Baenão, naquela época remota, recém inaugurado depois de uma longa (mais de cinco anos) temporada desativado para a construção de grandes obras que incluiriam pela primeira vez em Belém dois túneis embaixo dos quais ficariam os vestiários e por onde os times, o árbitro e seus auxiliares ingressariam no gramado. 

Além dos dois narradores já citado, a presença de Grimoaldo Soares no comentários e dos repórteres, Carlos Estácio, João Álvaro e dois nomes estranhos à equipe da tradicional PRC-5 : Denis Pinheiro (ou seria Menezes?) e Fernando Fonseca. E o famoso Plantão com seu time afinado: Carlos Vieira, Carlos Duílio, Paulo Pantoja e Virgílio Câmara. Detalhe: o nome do informante José Maria Nobre Gonçalves não se faz presente. Já teria deixado a emissora ou foi mero esquecimento? E se confirmada a dúvida, quem era o seu substituto entre os quatro efetivos da “escuta”? 

Com a palavra os “sobreviventes” daquela turma: Estácio, Vieira e Cláudio.


Times Inesquecíveis (2)

Dois times do Remo e Paissandu contemporâneos da década 1960. O do Remo é do ano de 1967 que teve a presença marcante do goleiro Florisvaldo que veio do Botafogo. Além do quarto-zagueiro Nagel, também vindo do Glorioso carioca, Luiz Carlos, atacante que acompanhou seus dois companheiros de General Severiano; o excelente volante que atravessara a avenida, saindo do Paissandu onde revelou-se um cracaço, embora não tendo repetido a mesma atuação no Remo: Oberdan era bom de bola e mais ainda de copo. O ponta esquerda Américo, fora contratado ao Vasco. O time inteiro da foto: da esquerda para a direita (em pé): Ribeiro, Assis, Florisvaldo, Nagel, Cláudio e Edilson. Agachados, na mesma ordem: Zezé, Luiz Carlos, Oberdan, Zequinha e Américo. 

Na equipe do Papão de 1966 que era comandada pelo uruguaio Juan Alvarez, o goleiro Edmar que veio do Campo Grande além de eficiente era de uma tranquilidade irritante embaixo da trave. Seguríssimo. O lateral-direito, o carioca Waltinho, esbanjava categoria, Oberdan surgia no futebol paraense vindo do time aspirante do Fluminense, assim como o eficiente meia-armador Tito, também iniciado nas Laranjeiras. E a dupla de atacantes (uma das melhores de todos os tempos no PSC), Bené e Rubilota. O ex-centro avante Garcia que veio para o Remo contratado como atacante (ele era do São Cristóvão) passou a jogar também como lateral- direito. E mostrando um futebol surpreendente. O time da foto, em pé, da esquerda para a direita: Juan Alvarez, Waltinho, Edmar, Abel, Oberdan, João Tavares, Paulinho e o médico Rodolfo Tourinho. Embaixo, na mesma disposição: Quarenta, Bené, Rubilota, Tito e Garcia, além do festejado massagista Carnaval. 

São falecidos: Ribeiro, Cláudio, Zezé, Oberdan, Zequinha, Abel, Rubilota, Tito, Juan, Tourinho e Carnaval.


sábado, 23 de fevereiro de 2019

Quem foi o pioneiro no Pará?

Na crítica de arbitragem no rádio paraense quem teria sido o pioneiro? Alguns atribuem a Arlindo Louchards que era preparador físico, o início dessa função. Ele aparece em um anúncio da Rádio Marajoara, nos primórdios das transmissões esportivas da ex-emissora “Associada” em fins dos anos 50. Só que nesse tempo, Luiz Solheiro havia se transferido para a Rádio Clube, onde fazia dupla com Edyr Proença (ele nos comentários) e possivelmente Louchards poderia ter sido o seu substituto na equipe de Jayme Bastos (narrador). Quando a extinta Guajará estreou seu time na narração esportiva, Louchards, aparece como sendo o crítico de arbitragem e Solheiro e Arlindo Dourado dividiam os comentários.

Acontece que Manoel Nery Filho é tido como o verdadeiro precursor na função. Ele foi árbitro sem tanto destaque na década de 1960.Mas criou um bordão que o consagrou no rádio: “No fi –gu-ri-no” – dizia silabicamente e Isso para demonstrar que o no momento do gol, tudo fora legítimo, sem irregularidade no lance que originou-o.

Nery Filho não era tão eloquente em seus comentários. Mostrava-se discreto, com críticas moderadas, sem espalhafato e com vocabulário embora limitado, mas sem ofender a gramática. Fora do rádio era o maestro da Banda dos Fuzileiros Navais de Belém. Depois que deixou a Clube teve rápida passagem pela Liberal nos anos 1980.


Os rebarbados (1)


Rebeldes, incompreendidos, indisciplinados, bipolares, brigões. Alguns desses adjetivos serviriam para explicar o comportamento de jogadores que embora sendo bons de bola ou até mesmo craques, são problemáticos fora das quatro linhas. 

Nem sempre é o alcoolismo ou as drogas nos tempos atuais que contribuem para este desvio de conduta por parte deles. Por s vezes potencializa o mal comportamento, é evidente. Alguns deles são mimados de nascença ou carentes de afeto na infância, em geral paupérrima e atribulada nos lares das periferias Não necessariamente sendo originária desse fator social. 

Dos longos anos em que acompanho o futebol paraense, escolhi apenas seis deles, por considera-los craques ou próximo disso. E principalmente por representarem décadas diferentes. 

O primeiro deles, Carlos Alberto, que era mais conhecido pelo apelido, Urubu, considerado o segundo ídolo, do Paisandu (o primeiro sempre foi o Quarenta) na segunda metade da década de 1950 e até meados dos anos 1960. Urubu era valente, destemido, bravo em qualquer momento do jogo, chutava bem com a canhota e para ele, literalmente, seguindo o pensamento do saudoso e hilário dirigente corintiano, Vicente Matheus, “o jogo só termina quando acaba”. Ou vice-versa. 

Pelo amor acendrado demonstrado em campo e criando a mística em decisões de campeonato contra o Remo de que “matava” o jogo em cima da hora, quando a partida já ia terminar, Carlos Alberto ainda era mais consagrado por zoar a torcida remista. Se marcasse um gol seu rumo imediato em campo era dirigir-se à torcida adversária chacoalhando e às vezes até provocando-a com gestos obscenos. Por isso mesmo era “odiado” pelos azulinos. Ele não estava nem ai. Vivia em constante lua de mel com a galera bicolor. Mas só até quando o treinador uruguaio Juan Alvarez foi contratado para ser o novo técnico do Paissandu. Era o ano de 1965. 

O técnico uruguaio fazia da disciplina rígida, seu maior triunfo ao comando de uma equipe. Chegou já sabendo da fama de indisciplinado do Urubu. E por isso mesmo focou logo nele para mostrar o seu cartão de visita. Ambos de antipatizaram mutuamente, embora Urubu hoje com mais de 80 anos e deficiente visual causado por diabetes, ache que Juan o escolheu para “bode expiatório” com a intenção de amedrontar todo o elenco bicolor. No embate entre ambos a diretoria do Papão resolveu prestigiar seu novo técnico. Carlos Alberto já se aproximava também do final de carreira com quase 10 anos jogando na Curuzú. 

E praticamente foi mesmo o canto do cisne de um dos jogadores mais raçudos do futebol paraense de todos os tempos. E um dos ícones do time alvi azul idolatrado até hoje.

O Urubu, hoje aos 80 anos mesmo deficiente visual não esquece seu Papão.

Equipe da Marajoara – 1988


Uma das grandes equipes da Marajoara da segunda metade da década de 1980. Tinha o duplo comando de Ronaldo Porto e Carlos Castilho.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Chembra e Xuxa


Há quase vinte anos de falecido (ele morreu em 2000) o saudoso jornalista Euclides Bandeira que só era conhecido como “Chembra” nos meios de comunicação, foi um dos mais festejados jornalistas de seu tempo (1968/2000). Durante  sua longa carreira no jornalismo impresso, atuou no extinto jornal “associado) A Província do Pará. Começou como repórter policial e deixou o jornal em 1995 na função maior na redação: editor-chefe.

Por ocasião da Copa do Mundo de 1982 realizada na Espanha, a revista Ele/Ela que era editada pelo poderoso grupo Bloch, dono de diversos títulos de revistas, além da recém fundada TV Manchete, promoveu um concurso nacional de contos tendo como tema o Mundial,
Chembra concorreu e ganhou em 1ºlugar com o conto “A Copa escapou de boa”. E foi pra Espanha  em companhia da Xuxa que começava a se destacar na época como apresentadora infantil da TV Manchete.

Em homenagem póstuma ao sempre lembrado colega de pré-adolescência na Praça Brasil, no colégio Paes de Carvalho, na antiga  Faculdade de Direito e inclusive em A Província, para onde o levei quando eu atuava na Revisão, reproduzo em meu Blog o trabalho premiado.     
















Os preferidos da mídia esportiva

  Resultado lógico na escolha dos três  narradores paraenses preferidos  de todos os tempos. Seleção feita por 26 de seus próprios colegas d...