domingo, 14 de março de 2021

Quarenta Graus de emoção


Ronaldo Porto dividia opiniões pelo temperamento que tinha. Era pouco agregador quando comandava uma equipe esportiva. E dirigiu pelo menos duas: Marajoara e Clube. Sem contar a pioneira da RBA - canal l3, quando  foi inaugurada e pertencia ao saudoso empresário goiano Jair  Bernardino.


Ele começou aos 17 anos na Marajoara, dividindo a apresentação do programa dominical  “Na marca do pênalti” com o já falecido Luiz Araújo, na hora do almoço. Logo o programa faria enorme sucesso de audiência. A Marajoara naquele tempo dos “Associados” tinha uma  excelente programação geral.


Com a Liberal e sua equipe esportiva recém montada, Ronaldo não demoraria para integrar a Equipe Legal comandada pelo lembrado Jayme Bastos. Mas, sem tanto tempo, transfere-se para a Clube onde começa a carreira de narrador revezando-se  na transmissão dos jogos com Cláudio Guimarães, Zaire Filho e Edgar Augusto. Lá mesmo, passa a apresentar o programa de variedades “ Show do Quarenta Graus”, pela manhã.


No início de 1980, a Guajará resolveu formar uma nova equipe sob o comando do finado José Simões. É, então, quando ele e Zaire Filho tornam-se os narradores principais. A equipe, porém só durou seis meses, se tanto.


Quando a Marajoara foi adquirida pelo empresário Carlos Santos, em 1985, Ronaldo assume o comando do departamento esportivo. Resolve dividir a chefia com Jayme Bastos, que sem tanta demora, porém, sairia para tratar da implantação de sua Maguary, que vai ao ar em 1990 embora só durando cinco anos sob seu controle, pois em 1995 foi vendida para uma igreja evangélica. Em um time de bom nível  - Edyr Proença,  Géo Araújo,  Giuseppe Tommaso, Aylton Silva, Chico Chagas e Paulo Bahia - mas de curta duração, Ronaldo chegou a narrar também jogos pela Maguary.


Em 1992, estava de volta à Clube agora para comandar sua equipe de esportes naquele tempo bastante combalida após a saída de Edyr Proença, Cláudio Guimarães, Carlos Castilho, Agripino Furtado e outros. Mas, em 1996, Guilherme Guerreiro deixa a Marajoara e assume o comando do Timão do Rádio. Leva com ele nomes de peso da ex-emissora  “Associada”. Ronaldo Porto reassume o comando dos Titulares do Esporte e injeta nomes novos e alguns conhecidos  em sua equipe: Edson Matoso, o amazonense  Antenor Araújo, Gilson Faria, Mário Sales e Alberto Gonçalves, os mais expressivos.


No final dos anos 1970, O Quarenta Graus atuou no rádio maranhense em três emissoras: Difusora, Timbira e Educadora. Isso em apenas um ano, no máximo.


Foi eleito vereador de Belém com o mandato 1992/96, na esteira do sucesso do policial  Barra Pesada (canal 13) que apresentava no inicio da tarde. Ainda no mesmo canal foi o âncora  seguro do Brasil Urgente local.


Ronaldo Porto foi um dos narradores paraenses de melhores vozes e dicção clara. No inicio, não era tão bem articulado no improviso, o que melhora muito depois de formado em Direito.


No dia 11 de fevereiro, completou 69 anos.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Covid desfalca Aclep de Nildo Matos


A crônica esportiva paraense perdeu notem um de seus integrantes. O covid 19 causou a morte de Nildo Matos, repórter que atuou nas rádios Marajoara e Liberal. Ele atualmente estava afastado do microfone esportivo depois de ter sido o coordenador dos Titulares do Esporte por certo tempo.

Nildo começou em meados dos anos 1990 na Marajoara, com aval do dono da emissora, Carlos Santos, que tinha várias lojas de departamentos nessa época. Ele era o chamariz das chamadas na porta de uma delas - “Avistão” - ao anunciar a propaganda dos produtos da loja com um microfone portátil.

Cresceu no setor esportivo da emissora e logo depois já se tornaria repórter de campo. Recebeu convite e se transferiu para a Liberal juntamente com Pio Neto e Gesiel Lima. Mas sem tanta demora estaria de volta à Marajoara, onde ficou até o final do ano passado. 

A ex-emissora “associada” passava por reformulação em seu setor de esportes. Nildo Matos e Paulo Bahia, após vários anos, deixaram a equipe. 

Paralelo à atividade no rádio, ele era comerciante com um restaurante no bairro de Canudos, na Rua Guerra Passos. Além de atuar na diretoria do Sndicato do Comércio de Belém.

Quando o saudoso Géo Araújo renunciou à presidência da Aclep em junho de 2016, sendo o vice-presidente, Nildo assumiu o comando da entidade até princípios de 2017.

Estava em Abaetetuba quando contraiu o vírus chinês e no final da semana foi transferido para o Hospital do Hangar, onde faleceu hoje pela manhã aos 54 anos.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Um cartola polido




Este texto foi postado por mim no dia 24/04/2018, em reconhecimento à pessoa polida que foi Vinicius, presidente azulino no biênio 80/81, e que partiu ontem, deixando saudades à coletividade remista.



"Quando os dirigentes de futebol ainda nem eram chamados de cartolas, usavam-se as expressões próceres ou paredros, que tinham o mesmo significado. 

Vinicius Bahury de Oliveira vem desse tempo no Clube do Remo. Em torno da segunda metade da década de 1950. Sua família fazia parte da diretoria do Moto Clube de São Luis. Que tinha nos Abud donos de uma fábrica de tecidos o seu grande patrono. Ele veio jogar pelo Papão do Norte, integrando o elenco que esteve em Belém realizando uma temporada de jogos. Já era dono da empresa Cimaq na capital timbira. Que era a revendedora exclusiva da Chevrolet. Em Belém fez amizade com Jorge Age, naquele tempo, o maioral do futebol azulino. E sem tanta demora estava se radicando em Belém trazendo também a sua empresa revendedora de veículos pesados como tratores e caminhões de carga. Surgia então a Cinorte, uma loja gigantesca situada na avenida Senador Lemos, próximo à Doca. 

Durante os anos 50/60 do século passado, os bolsos dos dois paredros estavam sempre abertos para manter o futebol remista. Que paradoxalmente veria a partir de 1956, o maior rival dar o pontapé inicial para uma grande revirada na conquista de títulos. O Remo passou a escassear os campeonatos, que só ocorriam de quatro em quatro anos. Mas os dois grandes dirigentes remistas prosseguiriam em sua longa caminhada na vida do clube. 

Jorge Age assumiu a presidência no biênio 1955/56 e Vinicius em 1980/81. Foram sempre dois cardeais do Leão Azul, embora só Bahury ainda viva. Hage faleceu há dois anos. 

Depois que chegou a ser dono da fábrica Ametal localizada no distrito industrial de Ananindeua, Vinicius deixou as atividades mercantis. Até hoje é reverenciado dentro do Remo e considerado uma dos maiores remistas, mesmo não sendo paraense. 

Quando atuava à frente do futebol azulino –isso acontecendo em várias oportunidades – ele sempre foi considerado pela imprensa esportiva de Belém como uma pessoa educada, gentil para com seus adversários, especialmente os cartolas de Paissandu e Tuna. Basta dizer que suas empresas tinham seus impressos feitos nas duas maiores gráficas de Belém de tempos passados: Falângola e Grafisa, ambos de Giorgio Falângola e Altino Pinheiro, respectivamente, dois bicolores de escol. Vinicius não confundia as coisas. Adversários, mas só dentro do campo. Fora, eram grandes amigos. Como recomenda o manual de boas relações pessoais."

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Velasco, o "Mureno" de fé

Nas belas manhãs e  nas tardes que se prolongavam pela noite e às vezes até invadindo a madrugada, era um dia prazeroso, passar o domingo no sítio de Fernando Velasco, que ficava na Estrada do Uriboca, em Marituba. 

Uma autentica confraternização de amigos que mais parecia uma grande e harmoniosa família. Tudo era só alegria. E “bebemorações” com fartura de iguarias. Que até o dono da casa contribuía descascando as batatas para adiantar os serviços da cozinha. Com aquela serenidade que era uma marca forte em seu temperamento. 

Na piscina rústica e não tão  funda, a criançada fazia sua festinha particular. Algazarra que se misturava às conversas entre os adultos.  Os mais assíduos,  além da minha família : Ronaldo Bandeira e a esposa, Bernardino Santos e sua Eliete; Rubens, o irmão dele,  Claudionor Vieira, Walcy Monteiro, Ronaldo Franco, Valdir Fiok, Ary Monteiro, Luiz Negrão,  Carlos Garcia, e tantos outros,  além dos familiares de Velasco e da esposa, Marlene. 

Ninguém tinha pressa pra nada. A casa, ou melhor, o sítio, era um prolongamento de nossos lares como se fosse   uma grandiosa  festa de arraial. Comida e bebida estavam à disposição.  Era só servir-se  à vontade. Velasco era uma pessoa que cultivava amizades e sabia preservá-las. Um cara bacana. Conciliador, espontâneo e sincero. Por isso, na política foi preterido algumas vezes para cargos majoritários pela causa maior do MDB velho de guerra,  desde a sua fundação,  no começo da longa  ditadura militar. Era o partido opositor ao regime militarista que dominou o país por mais de 20 anos. 

Vereador metropolitano em dois mandatos, deputado federal, vice-prefeito de Belém,  presidente do instituto de Terras do Para (ITERPA) por duas vezes, além de funcionário do Basa por longo tempo, Fernando Velasco partiu ontem, para se encontrar com a companheira  de mais de 50 anos de casados. Ela faleceu há pouco mais de um ano e meio. 

Deixa um imenso vazio em quantos tiveram a sorte de privar de sua longa e  benfazeja amizade. Velasco e Marlene nasceram para ficar juntos para sempre. E que assim seja no outro plano da vida.







sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Remo, bi campeão paraense – 1978

Este time do Remo que se sagrou Bi-campeão paraense em 1978, foi um dos melhores de quantos disputaram a Primeira Divisão Brasileira, isso desde 1972 quando o Leão Azul fez seu debut na competição.

Aparecem na foto, da esquerda para a direita, em pé: China, Dico, Marajó, Dutra, Aderson e Clóvis. Agachados, na mesma ordem; Paulinho, Zezinho Capixaba, Mesquita, Bira (recentemente falecido) e Júlio César.




quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Maradona vs Pelé

De primeira devo dizer que considerava Di Stéfano o melhor jogador argentino de todos os tempos. Falo com alguma experiência de vida... Pouquíssimo abaixo de Pelé. 

Mas o assunto é a morte de Maradona. Quase inesperada pelo muito que já passara anterior à recente cirurgia no cérebro. As sequelas pelo uso de drogas por algum tempo foram agudas. E,  pode-se mesmo dizer, a causa de sua morte prematura, mesmo tendo chegado aos 60 anos. Para os padrões etários de hoje,  contudo, era possível considera-lo como um jovem senhor. 

Em um comentário na revista Placar de alguns anos atrás, um dos colunistas da revista esportiva analisou a dúvida sobre quem teria sido melhor: Pelé ou Maradona. colocou como termômetro dessa discussão, o ciclo de cada um dos dois craques. Quanto ao futebol praticado, logicamente. E sem tantos rodeios ou atalhos para citar Maradona, justificou a época em que Pelé jogou, quando a visibilidade não era comparável ao tempo do craque argentino. A televisão no Brasil, em termos de futebol das grandes equipes restringia-se ao Rio e São Paulo. Em Belém, por exemplo, só se via os grandes craques nos  jornais de curta duração que antecediam a exibição dos filmes nos melhores cinemas da época. Afora isso, só nos esporádicos amistosos quando os times famosos vinham em temporadas por aqui, jogar contra os três maiores clubes paraenses: Remo, Paissandu e Tuna. Ou em partidas das extintas seleções estaduais, realizadas bienalmente.

Se Pelé tivesse tido a mesma exposição no auge de sua carreira 1958/ 1970, o favoritismo quase absoluto seria seu. Não à toa foi merecedor dos maiores galardões mundiais do futebol. Inclusive intitulado Rei, que os franceses lhe tributaram em manchete do jornal Le Figaro.

O legado de Maradona é inegável. Com maior empatia, talvez, por seu engajamento político. E o uso de drogas, uma tisna em sua carreira brilhante.

Pelé, bem mais velho, paga no outono da vida,  a cobrança implacável por sua alienação aos destinos do país, principalmente no tempo da ditadura militar. Além de fatos familiares que só deveriam ser um pertencimento pessoal. É o preço por vezes imensurável que a fama exige dos que alcançam o panteão da glória.


"Com certeza um dia vamos bater uma bola juntos lá no céu", disse Pelé, em homenagem à Maradona.

Os preferidos da mídia esportiva

  Resultado lógico na escolha dos três  narradores paraenses preferidos  de todos os tempos. Seleção feita por 26 de seus próprios colegas d...