Chamado
de El Tigre em alusão a Friendreich que também tinha a mesma alcunha e foi um
dos maiores artilheiros do futebol brasileiro em seus primórdios, Lebrego, na
verdade o Quarenta original, ainda jogaria no Vasco e São Paulo. Encerrou a
carreira no próprio Paissandu com 35 anos em 1945. Uma façanha àquela época !
Um dos
filhos de Lebrego, Quarentinha, despontou no Papão como ponta-esquerda em 1954.
E logo seria contratado pelo Vitória, explodindo seu futebol na Boa Terra, sem tanta
demora iria para o Rio atuar no Botafogo em um ataque histórico formado por
Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo. O time da Estrela Solitária
nesse tempo só tinha o Santos de Pelé como um grande adversário. Equivalente ao
extraordinário time de Vila Belmiro. Foi da Seleção Brasileira onde marcou
muitos gols. Embora sem nunca ter sido campeão
mundial. Mesmo como reserva.
Outro
filho do velho Lebrego, Walmir, ainda que iniciado no Papão , ganharia fama no
Remo. Era considerado a ‘ovelha negra’ da família, toda bicolor. Diziam ser azulino de coração, embora tendo do
jogado no extinto Belenense e também na Tuna. Jogava como meia- direita (correspondente, hoje, ao ponta de lança).
O mais
famoso de todos os Quarentas, porém,
seria Paulo Benedito Braga dos Santos, ainda vivo, que por quase 20 anos
(1956/ 1974) esbanjou seu esplendoroso futebol como meia-armador do Paissandu.
E foi escolhido pela crônica esportiva paraense no ano 2000, por
unanimidade, como O Craque do Século do
nosso futebol. Por ser de porte físico
mignon, por vezes predominava entre a torcida, o apelido de Quarentinha. Mas na mídia era
mesmo o Quarenta.
Ércio que
faleceu ontem, aos 82 anos, era cria da juvenil bicolor. Em 1959 passou para o time titular. Um ponta-esquerda veloz, mas que
só chutava com a canhota. Driblador hábil, l na decisão do campeonato de 1959,
num jogo com muita chuva no estádio do Souza, em um contra-ataque, chutou para
o gol do goleiro Edgar do Remo, e mesmo sendo um chute com o pé direito, que não era o seu forte, a bola ao se
aproximar do goleiro, quicou em um "montinho artilheiro", desviou o arqueiro do
lance e foi para o fundo da rede. Era o
gol do campeonato do Papão.
Jogou no
time alvi- azul até 1970 quando foi para a Tuna e se sagrou campeão pela cruz-de-malta.
Depois que deixou o futebol, formou em Direito e passou a
exercer a nova profissão. Teve uma tumultuada passagem pelo Sampaio Corrêa,
logo que despontou no PSC mas sem demora no futebol timbira, retornaria à
Curuzu.