sábado, 8 de dezembro de 2018

O Esporte parou na Clube. A casa caiu!

O esporte sempre foi uma tradição na Rádio Clube. Desde meados dos anos 1940 quando Saint Clair Passarinho, que é considerado o pioneiro na transmissão do futebol resolveu parar a passar a bola para Edyr Proença. Edyr iria se revelar como um narrador de marca registrada. Seja pela voz anasalada, mas de timbre agradável, a dicção cristalina e ainda a narrativa modelar, sem as gritarias espalhafatosas na descrição dos lances e sobretudo pelos raros bordões inseridos durante seu relato do jogo, mas com frases craniadas como por exemplo: “o tempo passa e a barba cresce” e a máxima na hora do gol: “futebol é bola na rede”, dito compassadamente. O patrocinador exclusivo das jornas esportivas era simplesmente a Gillette do Brasil. 

A Rádio Clube foi vendida em 1983 para um grupo de empresários vinculados a Jarbas Passarinho e cujo capitão de indústria, era o falecido Jair Bernardino. A emissora pertencia à família de Edyr Proença e outra parte societária à Arquidiocese de Belém. 

Com a venda, Edyr deixara o esporte da emissora. Mas ficou uma equipe com nomes conhecidos como José Simões, Cláudio Guimarães, Jones Tavares, José Lessa e ainda: Beraldo Frances (informante do Plantão) o repórter Sílvio Damasceno e Moacir Tavares (escuta do Plantão). 

Com menos de um ano os novos donos da rádio resolveram extinguir o departamento de esportes. Sumariamente. Alegavam que a equipe não se sustentava financeiramente. E sem mais e nem menos, certo dia ao chegarem para apresentar o programa Cartaz Esportiva ao final da tarde, foram surpreendidos com um aviso afixado no quadro com essa finalidade, comunicando o término das atividades do setor e sugerindo que seus integrantes procurassem o Departamento de Recursos Humanos (RH) para tratar de suas situações funcionais individualmente. 

Foi um alvoroço. Como conta o saudoso José Maria Simões em seu livro “42 anos –Uma vida no Esporte” (1997). (...) “A maior decepção, talvez, de toda a minha vida no rádio esportivo quando, num determinado dia de outubro de 1984 aconteceu o que eu nunca imaginava pudesse acontecer principalmente como tudo foi feito pela direção da Rádio Clube que tinha como diretor geral o Sr. Arnaldo Passarinho. Nesse dia, ao chegar à rádio pra a apresentação do programa Cartaz Esportivo e a Turma do Bate-Papo, fomos surpreendidos com um simples “bilhete” afixado na parede da entrada do estúdio. Que dizia que não haveria o referido programa naquele dia, que estava extinto o departamento de esportes e que cada um procurasse o departamento de pessoal para a solução de suas situações financeiras. Eu e o Cláudio Guimarães fomos ao gabinete do Arnaldo Passarinho que apenas confirmou a decisão tomada pelos diretores da emissora. O que mais nos doeu não foi a extinção da equipe esportiva, um direito de quem era o proprietário da empresa, mas a maneira como eles agiram, sem qualquer consideração com os profissionais da mais alta estirpe e do mais alto respeito do rádio paraense que ali atuavam como era o caso meu, de Cláudio Guimarães, de José Lesa, com mais de vinte aos na emissora e dos demais companheiros. Minha decepção foi tão grande que, naquele momento tomei a decisão de que jamais trabalharia no rádio paraense. (...) 


A repercussão foi a pior possível nos meios de comunicação. O ex-dono da emissora e chefe da equipe, Edyr Proença que escrevia uma coluna no extinto jornal “Associado” A Província do Pará disse que mesmo que deficitário, o departamento em atividade ainda era lucro para a emissora pelo prestigio de que gozava perante o público por anos a fio. Outro ex-integrante do Plantão da emissora em tempos idos, o saudoso José Maia Nobre Gonçalves, em carta publicada em um dos jornais da cidade lamentava profundamente a infeliz decisão da emissora. Foi um clamor geral de protestos. 

Hoje, Hélio Dória que era o diretor de programação à época e Carlos Mendes, diretor de jornalismo, lembram que a desculpa mesmo por parte dos novos dirigentes da Rádio Clube é que o departamento esportivo era deficitário. Daí a extinção do setor. 

Beraldo Frances foi o único da equipe a permanecer na emissora, mas somente para informar os resultados de jogos por todo o país aos domingos à tarde. 

Pouco tempo depois, em 1986, a prestigiosa PRC-5, como por longos anos a emissora era mais conhecida, passou a integrar o grupo do jornal Diário do Pará, e logo o departamento de esportes foi reativado inclusive com a contratação de novos integrantes como Carlos Castilho, Guilherme Guerreiro, Nonato Santos, Carlos Estácio, Theodorico Rodrigues, Adonay do Socorro e Agripino Furtado.


2 comentários:

  1. Foi a época da travessa Curuzú e lembro muito bem desse momento onde ficou apenas o professor nota 10 (Beraldo Frances).

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  2. Um momento muito triste na história do esporte na Rádio Clube. O saudoso mestre Edyr Proença -sua família foi dona da emissora - teria dito à época: "Mesmo dando prejuizo, ainda era lucro para a rádio. Pela tradição do seu departamento esportivo".. Leigo como era o diretor Arnaldo Passarinho, já falecido,, não poderia avaliar sua desastrosa decisão. Embora o pai dele, o lembrado Saint Clair Passarinho,possa ser considerado como o narrador pioneiro do nosso rádio esportivo.

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